O Bolsonaro conseguiu me fazer praticar uma coisa que outrora eu não defenderia nunca: querer que praticamente qualquer candidato ganhe, desde que não ele. É isso, o momento é de todos se unirem para impedir que esse senhor totalmente despreparado seja eleito presidente do Varonil. Mas eu vim aqui para desanimar vocês. A impressão é de que a situação é bem preocupante, e minhas impressões não costumam errar muito. Tomara que dessa vez sim.
Em primeiro lugar, é preciso saber que nada do que será dito aqui existe esperança de que entre na cabeça dos eleitores do Bolsonaro, e esse é um dos principais problemas. Para todo argumento que se der contra o Bozo, eles terão uma falácia pronta na ponta da língua para responder.
Acho que este blog já falou sobre notícias falsas e campanhas difamatórias antes, tipo aqui, ou aqui. Sei lá, tenho a ligeira impressão de que já falei sobre isso antes. Você sabe o que é um hoax?
Vou resumir brevemente minha história de revolta contra a boçalidade. Desde que uso a internet, luto contra a propagação de desinformação. No entanto, ninguém nunca ligou pra essa minha militância. Minha realidade sempre foi: vejo boato, informação errada e opinião desinformada, refuto, faço postagem dizendo que quem está espalhando certa opinião está sendo alienado, algumas pessoas vestem a carapuça, não gostam e eu saio como errado, como chato, como do contra.
Ninguém nunca gostou de ser confrontado e provado que foi boçal ao espalhar uma informação absurda.
Talvez o motivo seja a velha dificuldade que as pessoas têm em aceitar um erro, sei lá. Fato é que, quando confrontadas nessas situações, ficam na defensiva, como fazem muitas pessoas quando ficam sem argumento.
O motivo de eu estar lembrando essas coisas é que talvez isso esteja mudando. Antes tarde do que nunca. Vitória nossa?
Alguém se surpreende com as notícias falsas sobre Marielle, sendo ela uma ativista e do PSOL? (Imagem: O Dia)
Sabemos que ciência não é religião. E agora chegou a hora de realizar a URGENTE e NECESSÁRIA reflexão: religião é ciência?
Há um ramo da filosofia chamado Filosofia da Religião, que basicamente estuda a religião abordando essa coisa espiritual do homem do ponto de vista da metafísica, da antropologia e da ética. Esse é, aparentemente, o único ângulo em que você pode tratar a religião como uma ciência: aquele em que se estuda aspectos filosóficos, e também os sociais, da religião.
Isso porque algo que funciona com base em crenças obviamente não é uma ciência, como já entendemos no post linkado no início do texto. É por esta razão que não têm cabimento sugestões como a que fez Marco Feliciano certa vez, dizendo que se ensinam Darwin, deveriam ensinar também Moisés nas escolas.
Mas aonde eu quero chegar?
O que você estuda na escola, matemática, línguas, sociologia, história, física, química, é ciência. Na escola, aprende-se não valores morais e crenças, e sim conhecimento (ah, quando se fala em conhecimento, se fala em ciência. Se está acompanhando tudo até aqui, você já sabe disso, né?).
Nas escolas públicas se estuda apenas ciência, o que acontece porque o estado é laico, e é assim porque é assim que é o certo. A educação moral e ética é aquela que se diz que vem de casa, e a religiosa é na igreja, e talvez em alguma escola particular de viés religioso. Em qualquer coisa pública, o viés é laico.
Foto retirada de matéria do Estadão (link nesta postagem)
A expressão "saber separar o joio do trigo" significa você ter discernimento para saber quando o que foi dito se trata de uma coisa e quando não se trata, quando se trata de outra. Pode parecer algo simples mas é muito raro encontrar pessoas que tenham genuinamente essa capacidade, porque é muito fácil acreditar-se que tem uma qualidade sem tê-la de verdade.
Para discutir qualquer assunto é preciso saber separar o joio do trigo. Certo?
Com política, não haveria por que ser diferente. E este assunto prova que as pessoas não sabem fazer essa distinção. A começar pelo fato de que associam a política assuntos e argumentos (e essa associação consiste em relacionar o que foi dito com uma partidaria esquerda x direita, mais especificamente. Em qualquer discussão, seja lá qual for o assunto) que nem teriam a ver em essência.
Em algum momento do passado, usei a analogia abaixo, mas era um assunto que não tinha nada a ver com este, portanto nem vem ao caso linkar.
Talvez você já tenha visto o título deste post em vários lugares antes, e minha vez agora de bater nessa tecla. Você precisa parar de usar o escudo do "é minha opinião".
Este é um post que está ligado àquele que fiz recentemente sobre a moeda da intolerância. Ele é para acrescentar uns pontos sobre aquela minha posição.
Um ou outro colega meu que tem a raiva da esquerda referida na ideia daquele post, afirma coisas do tipo "quer democracia só quando lhe convém: se alguém não pensa igual a ele, age com intolerância e exclui do Facebook".
Bem, realmente eu ando excluindo pessoas do Facebook por causa de política, mas para a pessoa dizer que faço isso por imaturidade, só porque não concordam comigo, só pode não me conhecer ou no mínimo não ter visto como eu sou na internet há anos.
A gente não é intolerante com opiniões contrárias. A gente é "intolerante" com:
boçalidade;
informação errada e tendenciosa vinda de fontes obscuras, leia-se também "desinformação";
raciocínios errados com aparência de verdadeiros, leia-se também "falácias";
preconceitos;
intolerância. Esta palavra está ligada à palavra acima. Ao contrário do que se tenta pregar por aí, quando uma pessoa resiste e não aceita as coisas citadas acima, ela não está sendo intolerante e errada. Você pode trocar essa sua "intolerância" por "resistência", ou então apenas falta de saco para coisas que já se está cansado de falar.
"Você que exclui gente do Facebook por causa de política é muito infantil!"
Não:
Você que exclui gente do Facebook por causa de política talvez seja infantil. Ou talvez você tenha entendido como paciência tem limite.
Em primeiro lugar: ninguém é obrigado a tolerar e aturar boçalidade. E às vezes o problema não é só a boçalidade. Ou melhor, continua sendo a boçalidade, mas esta às vezes chega a um ponto em que afeta suas relações com as pessoas e pode causar constrangimento.
Pessoalmente, tenho uma posição de que nós não devemos nos superestimar, nem nos subestimar: temos que saber quem somos, simplesmente. Temos que conhecer nossos limites. Não dizer que sabemos algo que não sabemos. Mas também não é se subestimar o tempo todo. O que temos é que saber das nossas qualidades, mas não inventar ou nos enganar que temos alguma qualidade que não temos.
O chamado Efeito Dunning-Kruger, também chamada de "Síndrome do Idiota Confiante" tem a ver com isso.
Um hoax consiste numa história ou uma notícia falsa, que é espalhada pela internet por meio de email ou, principalmente, por redes sociais. O conteúdo das "correntes" geralmente consiste em apelos dramáticos de cunho sentimental ou religioso, difamação de pessoas ou empresas, supostas campanhas filantrópicas, humanitárias, ou de socorro a supostas pessoas doentes, etc.
Muitas vezes, um hoax é usado para polemizar sobre algo ou alguém por quem seu criador tenha antipatia ou seja contra.
Algum tempo atrás, mencionei num post as campanhas difamatórias feitas contra o deputado Jean Wyllys. Nessa ocasião, eu disse que o fato de tanta gente comprar esse ódio a certas figuras é revoltante e diz muito sobre a inteligência do nosso povo, mas que seria assunto para outra conversa. Resolvi abordar tal conversa agora.
Recentemente, Wyllys recebeu moção de repúdio por projeto que não existe.
Existe uma moda difundida principalmente pela internet de se odiar a esquerda, onde legal é quem é reacionário, quem repete como sua opinião o que o tio falastrão diz na reunião de família e o que vê nos memes criados pelo "segmento intelectual" da zoeira, enquanto que quem defende causas humanas da esquerda é algum tipo de babaca. É, amigos, infelizmente não deu e tive que fazer um post alfinetando a nossa boa e velha zoeira.